Eu no meio do mundo

"Me contradigo?
Pois muito bem, eu me contradigo.
Sou vasto, contenho multidões."


(Walt Whitman)

6.8.02

"Crônica de uma morte anunciada"...




Humm...




Já deu.
Voltei.

15.7.02

Só mais uma coisa: obrigado por todos os e-mails e comentários aqui.
Obrigado a quem esteve do meu lado e entendeu.
Obrigado a você. E a você, e a você, e a você também, minhas amigas. Por tudo.

O mundo é pequeno e dá muitas, muitas voltas.
Eu não ia mais escrever aqui, não fosse o acaso me fazendo trair, errar na tentativa e pagar a língua.
Ontem à noite me peguei pensando no passado. Estou confuso, estou bêbado, tentei ligar pra uma amiga bruxa, pedir uma poção mágica ou um pau de macarrão na cabeça, não deu.
Reminiscências e reticências, meus grandes fantasmas. Lembranças e impressões do que foi, do que senti, dos sonhos, medos, dores, risos e todo o resto, essas são as reminiscências que me motivam e/ou consomem.

Reticência sf (lat reticentia) - 1. Omissão daquilo que se devia ou podia dizer; silêncio voluntário.

Eu digo, eu juro que digo. Se não verbalizo, está tudo na minha retina - não dizem que os olhos são as janelas da alma? Pois eu sou muito transparente, não sei fingir, não consigo fazer de conta. Sou um idiota, sou criança, estou tentando aprender, não expresso, de fato, com as palavras certas o que deveria ser tão óbvio, já que é sincero e verdade única pra mim.
Mas eu não sei como.
Meus atos falam, não falam? Como também fala meu sorriso, como grita o meu silêncio, como não mentem meus olhos.
Eles não mentem nem conseguem esconder, por isso eu olho tanto pras pessoas, por isso procuro as pupilas, por isso eu converso mirando no meio dos cristalinos. Porque eu cansei de ser mal compreendido, ou entendido em parte, ou interpretado de outro jeito. Olhem meus olhos, por favor, olhem meus olhos! Tem óculos na frente, mas eles são claros, não gosto dos escuros justamente porque me incomoda não mostrar a verdade que está aqui, guardada e, ao mesmo tempo, estampada nos olhos, nos meus olhos, pra quem quiser ver.
Quando eu falo de amor, meus olhos estão cheios. Brilhando. E eles brilham, eu sei que eles brilham um bocado, porque eu amo muito. Já amei, estou amando, vou amar mais e mais, prometo. Vivo por isso.
Ah, estou no trabalho, muita coisa me enchendo, pouca clareza nas idéias, e esse blog já morreu.
Estou surtando, num espasmo de loucura daqueles que me tomam de vez em quando.
Deixa eu pirar aqui fora, no mundo dito "real".

10.7.02

Flor de ir embora
(Fátima Guedes)


Flor de ir embora
é uma flor que se alimenta
do que a gente chora
Rompe a terra, decidida,
flor do meu desejo
de correr o mundo afora
Flor de sentimento
amadurecendo, aos poucos,
a minha partida
Quando a flor abrir inteira
muda a minha vida
Esperei o tempo certo
E lá vou eu, e lá vou eu
flor de ir embora, eu vou
Agora esse mundo é meu.


Recesso por tempo indeterminado. Outras coisas a resolver.
Hora dessas, eu volto. No meu aniversário, depois das férias, amanhã, vai saber. Ou não.
Para me achar, tem sempre o e-mail. Ou, com paciência, uma outra proposta aqui.
Inté.

Chega.

Eu sei o que não.
Não sou de boates, não mais. Já brinquei muito disso, me encheu.
Não sou de sexo fácil, não tanto. A facilidade me cansou, preciso de outros estímulos.
Não sou da noite, ela me cansa. Prefiro as cores do dia.
Não sou de muitos, já fui. Muita energia dispersa, mais fácil concentrar.
Não sou efêmero, não gosto da sensação. Me estimula o desafio de desvendar, o embate, o além disso.
Não sou comedido, esbarro nos extremos. Apesar do raciocínio matemático e prático, sou passional, essencialmente.
Não sou óbvio. Duvidem de mim: eu mereço e espero.
Não sou um número. Letra, um nome, todos os nomes. Talvez, gente.
Não sou o tempo todo. Sou aos pedaços, aos cortes, cenas de capítulos que nem sempre formam um enredo coerente.
Não sou primavera. Por dentro, furacão que leva a Oz. Por fora, depende.
Não sou pouca coisa. Nem muita. nem na medida certa. Sou isso daqui, e pronto.
E chega.

É, eu sou exigente demais, sim.
Meu amor por tanta gente é genuíno, gratuito e não tem preço.
Mas, em se tratando daquele outro amor, daquele outro espaço, a coisa muda de figura.
Totalmente.
Por que me é tão difícil permitir? Por que ninguém chega? Eu assusto? Eu afasto?
Não, eu sei o que sou. E quase imagino o quanto deve ser difícil.

Não precisava ser assim.
Tem mil e um jeitos de se fazer as coisas, mil e uma maneiras de se preparar Neston, mil e uma noites de estórias com Sherazade e mil e uma utilidades para Bombril.
Eu só queria uma verdade.
A minha.

Eu amadureci muito cedo?
Ou estou demorando demais?
Por que complico tanto, meu Deus? Eu, tão bem resolvido, eu, tão metido a seguro, eu, tão "encantador", eu, tão cheio das palavras, por que eu não consigo entender?
As palavras, essas filhas da puta, elas não me bastam. Me confundem, embebedam, iludem, me fazem acreditar e ludibriar.
Malogro.
Me faço tão ambíguo assim? Cadê a transparência que tanto prego e defendo? Se ela parte, em parte, de mim, por que não me chega na mesma medida? Por quê? É pedir muito? Dói? Dói, eu sei, mas não é mais fácil, porque sincero, porque real, porque factível e mensurável e revelador? Não é assim? Eu também me perco nas palavras, também falo ou escrevo uma coisa querendo, na verdade, dizer outra. Mas não é deliberado, sabe? É ignorância, é falta de apuro, cuidado ou, mais basal, entendimento. Sou um menino perdido, mas me esforço pra encontrar os caminhos. Será que, procurando às cegas, só consigo me embrenhar mais?

Hoje os cornos amanheceram virados.
Muitos pensamentos desconexos, não estou conseguindo estruturar o que sinto.
É ruim.
É comigo.
E eu não sei como fazer.

Mas, ao que interessa. Na falta dos almoções, tivemos um jantarzão aqui em casa!
A idéia, em princípio, era ver um filme comendo pipoca, sem muito estradalhaço... Mas, com a proposta dela de preparar uma receita com pomodori frescos, não tive como resistir... Teca, além daquela doçura toda, além de falar de Gauguin com tanta naturalidade, além de tocar harpa (???), ainda cozinha como só ela! Uma tremelga sofisticada, sabe como é... ;-D
E olha quanta gente linda apareceu: Mi (prima da Teca, off-blog), o Cabeção, Giu, Faerie e, surprise, surprise!, a Ju! Comemos, bebemos, rimos um bocado, mostrei umas músicas (meus forrós marmotosos - fizeram um sucesso danando!), dividimos os prazeres e agruras do blogverso, detonamos o sorvete com cobertura de framboesa (que NÃO deve ser guardada na geladeira, descobri do pior jeito), enfim: uma noite ótima!

Toma de novo, pra deixar de ser retardado.

Toma, trouxa!

9.7.02

Sumir.
Hoje eu vou me raptar e fazer, hum, coisas...
À noite, penso no(s) dia(s).

Sem saco, sinceramente, sem saco.
Campinas? Bah!
O que não se faz pelos amigos... Auto-flagelação? Hoje não é dia de viajar. Por mais que eu quisesse te dar um beijo de boa viagem, tenho o que resolver por aqui, minha amiga. Amanheci mais hedonista que de hábito, não quero me obrigar ao que vai me desgastar física e emocionalmente. Preciso falar com algumas pessoas, dar uma geral na casa, lavar roupa, comprar comida, fazer contas, escrever, ler, ver filme... sim, eu estou me justificando. Não, não vou mais.
Ah, chega.

A gente descobre, a gente aprende, a gente entende, e quebra a cara e cai e levanta e cospe pra cima pra acertar a testa...
Eu não tenho jeito mesmo, começo a questionar minha capacidade de combater o determinismo ridículo de que pareço ser vítima. Fiandeiras da vida, vão tomar no cu!
Eu quero as rédeas.
Cadê o poder todo daquela época tão "inocente", quando eu mandava, conduzia, controlava?
O crescimento é a desconstrução, será?

Ela de blog novo, ele, finalmente, de volta.
O mundo gira...
E esse blog, definitivamente, vai acabar.
Vem outro. Não sei quando, nem pra quê ou pra quem.
Mas vem.

Pego o celular - quem sabe?
- Alô?
- Oi… Tudo bem?
- Tudo. Quem é?
- Não tem nem idéia?
- Ah, eu não tenho bina.
- Já esqueceu de mim?
- Fernando?
- "Fernando"? É, eu imaginei que seria substituído nesse fim de semana…
- Quem é?
- Não pode ficar uns dias sem me ver que já esquece, é?
- Ítalo?
- Faz assim: vai dormir, que é melhor eu te ligar outra hora.
- Tá bom, então.
- (…)


Preciso ser lembrado mais vezes de que não sou inesquecível…
Foi bom. Andaram enchendo muito a minha bola esses dias: nada como o ostracismo pra me trazer de volta à normalidade cotidiana.

8.7.02

E vou lá encontrar Tequinha pra gente ver filme comendo pipoca e falando besteira...
Tem coisa melhor?

(Quer dizer... eu bem podia chegar em casa e ter um presente nu na minha cama, vá lá... mas, paciência.)

Ufa! Home, sweet home, estou de volta! Depois de uma meia dúzia de revezes, as coisas parecem voltar aos eixos.
Essa viagem foi toda meio destrambocada, eu, hein! Primeiro, quase tivemos um piripaque de tanto correr pra chegar à rodoviária na sexta - e perdemos o ônibus! Conseguimos em,barcar, graças ao atraso de outros passageiros, em um outro que ia só até Paraty, mas de lá a gente daria um jeito.
E aconteceu que descolamos uma carona especialíssima com o motorista até Praia Brava, nosso destino.
Tudo perfeito, se eu não tivesse esquecido o celular no ônibus. Bobagem: bastou ficar acordado até oito e meia da manhã esperando o mototrista voltar de Angra trazendo o meu tamagochi. Eu, no meio da estrada pulando feito um sapo na frigideira, capítulo 1.
O sábado foi lindo, tudo maravilhoso, só não deu pra ver o mar, mas tudo bem.
Os strip-teases dessa noite também foram um tanto, hum, extra-ordinários, eu diria.
No domingo, voltaria eu a São Paulo às três da tarde, desse tudo certo. Não deu, claro. Inventei de tomar o banho do descarrego antes de viajar (eu merecia e precisava, pô!) e, mesmo pulando loucamente feito canguru com prisão de ventre no meio da estrada, o ônibus já tinha passado e eu vacilei. Volto ao reduto, cabisbaixo e, ao mesmo tempo, exultante com a chance de ver a final de FAMA, enquanto esperava pelo ônibus das 22h.
Aí, surgiu a proposta de irmos todos ao Rio, prontamente aceita e acolhida com fervor! Mas o universo conspirou para que ficássemos quietos no nosso canto e eu, que ainda sonhava em voltar ontem mesmo, vi os castelos desmoronando quando o gentil moço da viação informou não haver mais vagas àquela hora. Só conseguia pensar no monte de coisas a resolver por aqui...
Eis que hoje, apesar de o ônibus das oito estar lotado, por um milagre do destino eu consegui embarcar, não sem antes pular loucamente feito um calango no asfalto fervente e quase ser atropelado por um ciclista assassino possuído pelo Ayrton Senna.
Sentei ao lado de um cara que roncava muito mais do que eu e, de quebra, ao lado do perfumado banheiro do inferno.
Mas cheguei, isso é o que importa.
Pra descobrir que não deu pra pagar as contas, minha linha telefônica pifou (mas já consertaram, depois do escândalo que eu fiz pelo celular), não tem comida em casa e, de novo, nada de colo mais tarde.
Mas é feriado, amanhã eu posso dormir até mais tarde, tem churrasco da minha amiga em Campinas e o mundo é belo!
Tô feliz, pra variar! Gente besta, sabe como é...
:-)

7.7.02

E andei pensando: tenho que deixar de ser besta!
Eu posso, eu quero, eu vou.
Se não der, "seja passado o passado: tome-se outra vereda e pronto".
Né?

Como é que eu vou viver sem esse povo do Fama, hein?
Ainda bem que já começou a segunda edição!
Sim, a seleção musical é um assombro, eu sei. Mas os participantes são carismáticos e a proposta me emociona, vou fazer o quê?
ADOOOOORO o Fama!

Eu deveria estar em casa, no tanque, lavando minhas cuecas agora.
Mas, não. Estou em Angra dos Reis, vendo a final de Fama, o melhor programa, vale dizer, esperando todo mundo se arrumar pra irmos ao Rio de Janeiro passar a noite na esbórnia.
Porque a baixaria, hoje, não vai ser pouca.
A noite é uma criança, e a madrugada, uma vadia.

Um P.S. by Balla: Eu sou o puro luxúria!!! Amém, Senhor!